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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Associação Académica de Coimbra

A 3 de novembro de 1887, é fundada a Associação Académica de Coimbra. É a mais antiga associação de estudantes de Portugal. Todos os alunos são automaticamente considerados sócios enquanto estiverem inscritos na Universidade de Coimbra.

sábado, 4 de julho de 2015

O Milagre das Rosas


D. Isabel, mulher de D. Dinis, ocupava todo o tempo que tinha a fazer bem a quantos a rodeavam, visitando e tratando doentes e distribuindo esmolas pelos pobres. 
Conta a lenda que o rei, que tinha muito mau génio apesar de ser também bondoso, se irritou por ver a rainha sempre misturada com mendigos, e proibiu-a de dar mais esmolas. 
Certo dia, viu-a sair do palácio às escondidas, foi atrás dela e perguntou-lhe o que levava escondido por baixo do manto. Era pão para distribuir pelos pobres. Mas ela, aflita por ter desobedecido ao rei, disse: 
- São rosas, Senhor!
- Rosas? Rosas em janeiro? - duvidou ele - Deixai-me ver! 
De olhos baixos, a rainha Santa Isabel abriu o regaço e o pão tinha-se transformado em rosas, tão lindas como jamais se viu.


sábado, 17 de janeiro de 2015

Adolfo Correia da Rocha

A 17 de Janeiro de 1995, morre, em Coimbra, o escritor Miguel Torga, nome literário do médico Adolfo Correia da Rocha. Proposto várias vezes para o Prémio Nobel da Literatura, a sua vasta obra abrange a poesia, o romance, o teatro, o conto, as crónicas de viagem e as memórias. Entre os seus textos mais conhecidos estão "Os Bichos" (1940), "Odes" (1946) e os 16 volumes do seu "Diário", abrangendo o período entre 1941 e 1993. Ganhou o Prémio Internacional de Poesia (1977), o Prémio Montaigne (1981) e o prémio Luís de Camões (1989).

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Inês de Castro

Razões de ordem política levam o rei D Afonso IV a mandar executar Inês de Castro, amante do seu filho D. Pedro. Esta cruel tarefa é levada a cabo, a 7 de janeiro de 1355, por três elementos da nobreza: Álvaro Gonçalves, Diogo Lopes Pacheco e Pêro Coelho. Aproveitando a ausência de D. Pedro numa caçada, dirigem-se ao Paço de Santa Clara, em Coimbra, onde a bela Inês se encontra “posta em sossego” e matam-na. Camões imortaliza, n'Os Lusíadas, os amores de Inês e D. Pedro.

domingo, 13 de julho de 2014

Carlos da Maia


É a personagem principal de "Os Maias", que muitos consideram um romance de personagem, centrado precisamente em Carlos da Maia. É filho de Pedro da Maia e Maria Monforte, mas nunca teve contacto com os pais, exceto quando era ainda muito criança.  Depois da fuga de Maria Monforte, e o suicídio do pai, ficou entregue ao cuidados do avô Afonso da Maia. Este dar-lhe-á a educação que não pôde dar ao filho Pedro - educado segundo cânones tradicionais portugueses, por insistência de uma mãe ultra-católica -, já na quinta do Douro, Santa Olávia, onde se refugiou com o neto, deixando ao abandono o Ramalhete. 
Educado à maneira inglesa, com normas rígidas, intensa atividade física, sem os tradicionalismos da "cartilha" católica (que atormentara o seu pai e o pobre Eusebiozinho, representantes da educação portuguesa), Carlos vai tornar-se num belo homem, física e intelectualmente. Carlos é um belo e magnífico rapaz. Alto, bem constituído, de ombros largos, olhos e cabelos negros, pele branca, barba fina, castanha escura, pequena e aguçada no queixo. O bigode arqueado aos cantos da boca. Como diz Eça, ele tem uma fisionomia de "belo cavaleiro da Renascença". 
Carlos é culto, bem educado, de gostos requintados. Ao contrário do seu pai, é corajoso e frontal. Amigo do seu amigo e generoso. Destaca-se na sua personalidade o cosmopolitismo, a sensualidade, o gosto pelo luxo, e diletantismo (incapacidade de se fixar num projeto sério). Forma-se em Medicina, em Coimbra, onde conhece João da Ega, o seu grande amigo.

Todavia, apesar da educação, Carlos fracassa. Não foi devido a esta mas falhou, em parte, por causa do meio onde se instalou – uma sociedade parasita, ociosa, fútil e sem estímulos e também devido a aspetos hereditários – a fraqueza e a cobardia do pai, o egoísmo, a futilidade e o espírito boémio da mãe. Eça quis personificar em Carlos a idade da sua juventude, a que fez a Questão Coimbrã e as Conferências do Casino e que acabou no grupo dos Vencidos da Vida, de que Carlos é um bom exemplo.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

A bula Cum ad nihil magis

«A Inquisição», salientou Eduardo Lourenço, «é o mais presente, obsessivo e enigmático episódio da nossa vida coletiva». Este juízo pode ser estendido a Espanha e Itália, os outros países católicos da Europa Meridional que, durante a Época Moderna, foram fortemente caracterizados pela sua presença.
D. João III negociou vários anos a instituição do Tribunal do Santo Ofício em Portugal. Em 1532 viu os seus intentos satisfeitos pelo papa Clemente VII que lho concedeu pela bula Cum ad nihil magis, de 17 de dezembro, na qual nomeava inquisidor D. Fr. Diogo da Silva.
A reação e protestos dos cristãos novos fizeram com que o mesmo pontífice revogasse aquela bula pela Sempiterno Regi, de 7 de abril de 1533. Perante o desaire, o soberano não desistiu e moveu influências. Paulo III, que sucedera a Clemente VII, respondeu com o breve Inter coetera ad nostrum, de 17 de março de 1535, aconselhando o monarca a seguir as regras da piedade e não as da vingança e mandou executar o perdão concedido pelo seu antecessor.
D. João III travou em Roma uma luta cara, a que não foram alheias as intrigas e subornos, conseguindo que o mesmo papa Paulo III instituísse em Portugal o Tribunal do Santo Ofício pela bula Cum ad nihil magis, de 23 de maio de 1536. Dirigida aos bispos de Ceuta, de Coimbra e de Lamego, nomeava-os seus comissários e inquisidores em Portugal para procederem contra os cristãos novos e contra todos os culpados em crime de heresia. Em 1539 D. Diogo da Silva renunciou ao cargo de inquisidor-mor e D. João III nomeou o seu irmão, o infante D. Henrique, arcebispo de Braga e futuro cardeal. Essa nomeação não foi bem aceite por Paulo III que, todavia, acabou por lhe conceder os poderes antes dados aos inquisidores.
Estava definitivamente instituída a Inquisição em Portugal nos moldes ambicionados pelo rei Piedoso. Tribunal simultaneamente régio e eclesiástico, inseria-se na política de centralização do poder. A sua criação e os seus membros estavam ligados à Igreja, mas todo o funcionamento era superiormente controlado pelo rei, desde a nomeação dos inquisidores-gerais, que despachavam diretamente com o monarca, até à execução das penas de morte, para o que os condenados eram entregues ao braço secular.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Mafalda de Saboia

Era filha de Amadeu III, conde de Saboia, e da condessa Mafalda de Albon. 

O casamento com o nosso monarca, D. Afonso Henriques,  foi provavelmente em 1146. O certo é que só em julho desse ano figura nos diplomas públicos o nome da soberana.
Da vida da rainha pouco se sabe, mas fica a ideia que não teria muito bom feitio, não sendo bom o seu relacionamento com o prior de Santa Cruz, S.Teotónio.
Um dos conflitos relatados, aponta a sua teimosia em pretender visitar os claustro interiores do mosteiro de Santa Cruz, que Teotónio terá recusado, para não infringir as regras do mosteiro.
Algumas considerações românticas insistem em atribuir à vida desta Rainha um certo estigma de infelicidade pela vivência que o marido lhe proporcionou. Veio encontrar um marido que amava outra mulher e já tinha dela dois filhos e esses desgostos amorosos causados pelo marido, ter-lhe-ão torturado o espírito, que fez azedar-lhe o feitio.

Foi mãe de sete filhos e sentou no trono Sancho I. Faleceu com cerca de trinta anos, a 3 de dezembro de 1157, na sequência do parto da infanta D. Sancha.
Está sepultada em Santa Cruz de Coimbra junto do marido.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Brás Cubas

Brás Cubas é o protagonista do livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas" , de Machado de Assis, publicado em 1881. Nasceu legítimo representante da fina flor da elite brasileira do século XIX. Relativamente culto, elegante e refinado era o que havia de mais sofisticado na sociedade oitocentista. Na sua outra face, ele é sovina, preconceituoso e egoísta.

Desde cedo ostentava o apelido de "menino diabo" e já dava mostras da índole perversa partindo a cabeça das escravas quando não era atendido nos seus desejos, ou montando o menino Prudêncio, que fazia de cavalo. O menino, fruto de uma criação permissiva, prendia rabos de papel nas pessoas, escondia os chapéus das visitas, dava beliscões nas matronas e cresceu dando mostras do seu génio indócil.

Brás Cubas herdou a fatuidade do pai, da mãe guarda uma sombra de melancolia e do restante da família o amor pelas aparências, a vulgaridade, a frouxidão da vontade e os caprichos. Para ele, o pai vaticinava um futuro brilhante, fosse no que fosse. O grande futuro não veio, mas sim um talento imensurável para viver a vida tirando dela o melhor proveito para si.

Ainda jovem, apaixonou-se por uma espanhola de má reputação. A primeira - que durou quinze meses - de uma série de relações descartáveis, o que levou o pai a enviá-lo para Portugal a fim de prosseguir estudos em Coimbra , onde os filhos das famílias abastadas viravam bacharéis. Em Portugal, Brás ganha fama de folião, superficial e petulante. Regressa ao Brasil levando o diploma de bacharel e o desejo de acotovelar quem se atravessasse no caminho.

Personagem de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

segunda-feira, 31 de março de 2014

João da Ega

João da Ega é a projeção literária de Eça de Queirós. Tal como Eça, usava "um vidro entalado no olho", tinha "nariz adunco, pescoço esganiçado, punhos tísicos e pernas de cegonha".
É um personagem contraditório. Por um lado, romântico e sentimental, por outro, progressista e crítico, sarcástico do Portugal Constitucional.
Era o Mefistófeles de Celorico. Amigo íntimo de Carlos desde os tempos de Coimbra, onde se formara em Direito (muito lentamente). A mãe era uma rica viúva e beata que vivia ao pé de Celorico de Bastos, com a filha.
Boémio, excêntrico, exagerado, caricatural, anarquista sem Deus e sem moral. É leal com os amigos. Sofre também de diletantismo (concebe grandes projetos literários que nunca chega a executar). Terminado o curso, vem viver para Lisboa e torna-se amigo inseparável de Carlos. Como este, também ele teve a sua grande paixão - Raquel Cohen. Não passa de um falhado, corrompido pela sociedade.
Encarna a figura defensora dos valores da escola realista por oposição à romântica. Na prática, revela-se um eterno romântico.

Nos últimos capítulos ocupa um papel de grande relevo no desenrolar da intriga. É a ele que Guimarães entrega o cofre. É juntamente com ele, que Carlos revela a verdade a Afonso. É ele que diz a verdade a Maria Eduarda e a acompanha quando esta parte para Paris definitivamente.

Personagem de Os Maias, de Eça de Queirós