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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Bula Manifestis Probatum

"Concedemos e confirmamos por autoridade apostólica ao teu excelso domínio o reino de Portugal com inteiras honras de reino e a dignidade que aos reis pertence, bem como todos os lugares que com o auxílio da graça celeste conquistaste das mãos dos sarracenos e nos quais não podem reivindicar direitos os vizinhos príncipes cristãos."

A bula Manifestis probatum est argumentis, de 23 de maio de 1179, foi, concedida por um dos papas mais cultos da Idade Média, professor de direito e de teologia, cujas teorias do poder papal aplica depois de eleito Papa. Alexandre III exerceu uma influência incontestável na Europa do seu tempo. D. Afonso Henriques, tomando-se tributário da Santa Sé e prestando vassalagem ao Papa, obteve o apoio necessário e indispensável na época para garantir uma independência já adquirida de facto, mas ainda não confirmada expressamente pela única autoridade que podia conceder-lha.
De resto, o teor da bula claramente nos indica que o privilégio concedido se devia aos inumeráveis serviços prestados à Santa Igreja pela propagação da fé cristã, que assinalaria D. Afonso Henriques aos vindouros como um nome digno de memória e um exemplo merecedor de imitação, e porque a Providência divina escolhera-o para governo e salvação do povo.

Christmas cake:

terça-feira, 24 de junho de 2014

Batalha de S. Mamede

“Na era de 1166 [ano de 1128], no mês de Junho, na festa de S. João Batista, o ínclito Infante D. Afonso, filho do conde Henrique e da rainha D. Teresa, neto do grande imperador da Hispânia, D. Afonso, com o auxílio do Senhor e por clemência divina, e também graças ao seu esforço e persistência, mais do que à vontade e ajuda dos parentes, apoderou-se com mão forte do reino de Portugal. Com efeito, tendo morrido seu pai, o conde D. Henrique, quando ele era ainda criança de dois ou três anos, certos [indivíduos] indignos e estrangeiros pretendiam [tomar conta] do reino de Portugal; sua mãe, a rainha D. Teresa, favorecia-os, porque queria, também, por soberba, reinar em vez de seu marido, e afastar o filho do governo do reino. Não querendo de modo algum, suportar uma ofensa tão vergonhosa, pois era já então de maior idade e de bom carácter, tendo reunido os seus amigos e os mais nobres de Portugal, que preferiam, de longe, ser governados por ele, do que por sua mãe ou por [pessoas] indignas e estrangeiras. Acometeu-os numa batalha no campo de S. Mamede, que é perto do castelo de Guimarães e, tendo-os vencido e esmagado, fugiram diante deles e prendeu-os. [Foi então que] se apoderou do principado e da monarquia do reino de Portugal.”
in Dom Afonso Henriques, José Mattoso, Círculo de Leitores, 2006, página 45 

terça-feira, 15 de abril de 2014

Mafalda de Saboia

Era filha de Amadeu III, conde de Saboia, e da condessa Mafalda de Albon. 

O casamento com o nosso monarca, D. Afonso Henriques,  foi provavelmente em 1146. O certo é que só em julho desse ano figura nos diplomas públicos o nome da soberana.
Da vida da rainha pouco se sabe, mas fica a ideia que não teria muito bom feitio, não sendo bom o seu relacionamento com o prior de Santa Cruz, S.Teotónio.
Um dos conflitos relatados, aponta a sua teimosia em pretender visitar os claustro interiores do mosteiro de Santa Cruz, que Teotónio terá recusado, para não infringir as regras do mosteiro.
Algumas considerações românticas insistem em atribuir à vida desta Rainha um certo estigma de infelicidade pela vivência que o marido lhe proporcionou. Veio encontrar um marido que amava outra mulher e já tinha dela dois filhos e esses desgostos amorosos causados pelo marido, ter-lhe-ão torturado o espírito, que fez azedar-lhe o feitio.

Foi mãe de sete filhos e sentou no trono Sancho I. Faleceu com cerca de trinta anos, a 3 de dezembro de 1157, na sequência do parto da infanta D. Sancha.
Está sepultada em Santa Cruz de Coimbra junto do marido.