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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

36 anos e 84 dias

O correspondente em Londres do Diário Popular, ao esquadrinhar o Guiness Book of Records, livro anual com mais de 16 milhões de exemplares, fica indignado perante a existência de um recorde português que «não só não nos envaidece como nos desprestigia», a longevidade de Salazar como ditador: 36 anos e 84 dias. Comentando este facto, aquele correspondente conclui ironicamente que este recorde foi «obtido à custa de o recordista ter atado os seus rivais, competidores e adversários de pés e mãos, de forma que só ele pudesse correr».

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Frei Luís de Sousa, Ato III, Cena IV

A 27 de julho de 1970, morre, em Lisboa, o ditador António de Oliveira Salazar. Foi Ministro das Finanças entre 1928 e 1932 e dirigiu os destinos de Portugal, como Presidente do Conselho de Ministros, entre 1932 e 1968, altura em que, por ter caído de uma cadeira e haver ficado inutilizado para o desempenho de tarefas governativas, é substituído por Marcelo Caetano.  Curiosamente, no dia em que o país tem conhecimento da sua morte, realiza-se o Exame Nacional de Português. O Texto a analisar é a cena IV do Acto III de Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett. Telmo, o fiel escudeiro de D. João de Portugal, quando este aparece vestido de Romeiro, diz: «Meu Deus, meu Deus, levai o velho que já não presta para nada, levai-o, por quem sois!» Claro está que o meio estudantil conotou ironicamente esta passagem textual com a morte de Salazar.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Exposição do Mundo Português

A 23 de junho de 1940, enquanto grande parte da Europa se vê envolvida na II Grande Guerra, é inaugurada, em Portugal, a Exposição do Mundo Português. Situada entre a margem direita do rio Tejo e o Mosteiro dos Jerónimos, a exposição ocupava cerca de 560 mil metros quadrados. Toda a zona foi reformulada urbanisticamente. Tendo por núcleo a Praça do Império, era lateralmente ladeada por dois grandes pavilhões, longitudinais e perpendiculares ao Mosteiro, o Pavilhão de Honra e de Lisboa, e, do outro lado, o Pavilhão dos Portugueses no Mundo. Edificado sobre «lugares santos onde nasceu sobre um punhado de areia o Império», como afirmaria, no discurso inaugural, Augusto de Castro, Comissário Geral da Exposição, este evento, encerraria a 2 de dezembro de 1940, tendo sido visitado por cerca de três milhões de pessoas. Foi o maior acontecimento levado a cabo pelo regime do Estado Novo, regime esse que sofreria a sua primeira crise política passados quatro anos, com o fim da Segunda Guerra Mundial e com a derrota de Hitler e Mussolini, com quem Salazar se identificava ideologicamente.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Humberto Delgado

A 13 de fevereiro de 1965, Humberto da Silva Delgado é assassinado pela PIDE, polícia política do Estado Novo. Foi candidato independente às eleições presidenciais de 1956. Questionado sobre qual o destino que daria a Salazar, se fosse eleito, teve a coragem de afirmar: "Obviamente, demito-o".

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Assalto ao Santa Maria

Na madrugada de 22 de janeiro de 1961, o paquete Santa Maria, da Companhia Nacional de Navegação, quando navegava em águas internacionais das Caraíbas, é tomado de assalto por um comando do Diretório Revolucionário Ibérico de Libertação. Esta operação, capitaneada por Henrique Galvão, delegado plenipotenciário do general Humberto Delgado, pretendia ser um rastilho para um levantamento insurrecional contra as ditaduras ibéricas de Salazar e Franco. Apenas a 24 de janeiro, os jornais portugueses, condicionados pela censura prévia, referenciaram este assalto.

domingo, 27 de julho de 2014

"Meu Deus, meu Deus, levai o velho que já não presta para nada, levai-o, por quem sois!"

A 27 de Julho de 1970, morre, em Lisboa, o ditador António de Oliveira Salazar. Foi Ministro das Finanças entre 1928 e 1932 e dirigiu os destinos de Portugal, como Presidente do Conselho de Ministros, entre 1932 e 1968, altura em que, por ter caído de uma cadeira e haver ficado inutilizado para o desempenho de tarefas governativas, é substituído por Marcelo Caetano.

Curiosamente, no dia em que o povo tem conhecimento da sua morte, realiza-se o Exame Nacional de Português. O Texto a analisar é a cena IV do Acto III de Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett. Telmo, o fiel escudeiro de D. João de Portugal, quando este aparece vestido de Romeiro, diz: «Meu Deus, meu Deus, levai o velho que já não presta para nada, levai-o, por quem sois!» Claro está que o meio estudantil conotou ironicamente esta passagem textual com a morte de Salazar.


sábado, 5 de abril de 2014

Catarina Eufémia

Resistente ao regime de Salazar, Catarina Eufémia foi uma ceifeira alentejana, analfabeta, morta a tiro durante uma greve contra o Estado Novo, a 19 de maio de 1954, com um dos seus três filhos ao colo. Transformou-se num símbolo da luta dos trabalhadores.
A história de Catarina Eufémia é a melhor personificação da resistência ao regime de Salazar. É uma história terna, que entristece, que representa o combate à opressão. A vida de Catarina foi marcada pela luta e pelo trabalho. A sua morte representa a face mais negra de uma ditadura.
A vida e morte de Catarina Eufémia acabaram eternizadas pela História, cantadas por Zeca Afonso, contadas pelos poemas de Sophia de Mello Breyner, Carlos Aboim Inglez, Eduardo Valente da Fonseca, Francisco Miguel Duarte, José Carlos Ary dos Santos, Maria Luísa Vilão Palma e António Vicente Campinas.