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terça-feira, 23 de junho de 2015

Exposição do Mundo Português

A 23 de junho de 1940, enquanto grande parte da Europa se vê envolvida na II Grande Guerra, é inaugurada, em Portugal, a Exposição do Mundo Português. Situada entre a margem direita do rio Tejo e o Mosteiro dos Jerónimos, a exposição ocupava cerca de 560 mil metros quadrados. Toda a zona foi reformulada urbanisticamente. Tendo por núcleo a Praça do Império, era lateralmente ladeada por dois grandes pavilhões, longitudinais e perpendiculares ao Mosteiro, o Pavilhão de Honra e de Lisboa, e, do outro lado, o Pavilhão dos Portugueses no Mundo. Edificado sobre «lugares santos onde nasceu sobre um punhado de areia o Império», como afirmaria, no discurso inaugural, Augusto de Castro, Comissário Geral da Exposição, este evento, encerraria a 2 de dezembro de 1940, tendo sido visitado por cerca de três milhões de pessoas. Foi o maior acontecimento levado a cabo pelo regime do Estado Novo, regime esse que sofreria a sua primeira crise política passados quatro anos, com o fim da Segunda Guerra Mundial e com a derrota de Hitler e Mussolini, com quem Salazar se identificava ideologicamente.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Os Távoras

A origem dos Távoras é tão antiga como a nacionalidade. Todos os marqueses de Távora são descendentes de Afonso Henriques e alguns genealogistas asseguram que o nome descende de Ramiro II, filho do rei de Leão.
Fizeram ao longo dos séculos alianças poderosas e casamentos de interesse que lhes asseguraram um lugar permanente no topo da hierarquia social portuguesa e uma proximidade especial com os monarcas. Valeu-lhes uma política restritiva de casamentos entre alta nobreza com o objetivo de assegurar a chamada "limpeza do sangue".
Há 255 anos, a importante família dos Távora atravessava o período mais negro da sua existência, podemos dizer mesmo, um momento verdadeiramente dramático, que levaria à execução de várias sentenças de morte, talvez as mais polémicas que Portugal alguma vez conheceu, quiçá injustas e vingativas, sobre vários membros da família dos Távora, decidida durante o "império pombalino".
Estava uma manhã fria, enevoada, e em Belém, à beira Tejo, o vento frio não afastava os mirones que queriam assistir à execução sumária da família mais poderosa do país. Eram 9.00 da manhã quando subiu ao cadafalso D. Leonor, marquesa de Távora. Era uma mulher snobe e fria de feitio irascível e com manias de superioridade. Antes de se entregar às mãos do seu carrasco, disse alto e bom som: "Deus permita que saibam todos morrer como quem são." E foi imediatamente decepada num só golpe. Seguiram-se José Maria Távora, conde de Atouguia, e Luís Bernardo de Távora, cuja mulher era amante do rei. Depois, o marquês suplicou clemência, mas mesmo assim partiram-lhe as pernas e os braços e terminaram-lhe o sofrimento com um garrote.
Às quatro da tarde, não restava um Távora vivo em Belém. Para terminar, os seus corpos foram cobertos de alcatrão e queimados. Nesse dia 13 de janeiro de 1759, o nome Távora era tão malvisto que o chão por baixo do cadafalso onde morreram foi salgado para que ali nada nascesse, nem sequer uma erva daninha. Os seus bens foram "nacionalizados" pelo reino.
Para assegurar a extinção total dos Távoras, os mais novos, que escaparam à morte, foram encarcerados nos conventos de Chelas e Rilhafoles.
O nome Távora ainda hoje é sinónimo de drama, crime e intriga. Ao contrário dos planos do marquês de Pombal, a família não foi extinta e hoje existem centenas de Távoras em Portugal.

sábado, 11 de outubro de 2014

Panhard-Levassor

A 11 de outubro de 1895, pelas 5 da tarde, chega a Santiago do Cacém o primeiro automóvel a circular em Portugal, uma viatura Panhard-Levassor. O carro, importado de Paris por D. Jorge de Avillez, um jovem aristocrata rural daquela vila do Litoral Alentejano, havia chegado ao porto de Lisboa uns dias antes. Atravessado o rio Tejo, foi acionado o seu motor, dando início à primeira viagem de automóvel em solo português à velocidade estonteante de 15 quilómetros por hora, tendo provocado tão forte pavor como fascínio entre as populações que acorreram à sua passagem.