quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

domingo, 28 de dezembro de 2014

Não me prendo

Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão. Tranquilidade e inconstância, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que tu quiseres, mas só quando eu quiser.
Clarice Lispector

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Simão Botelho

Protagonista de "Amor de Perdição", de Camilo Castelo Branco, inicialmente é apresentado como um jovem de temperamento sanguinário e violento. Perturbador da ordem para defender a plebe com quem convive e agitador na faculdade, onde luta de forma brutal pelas ideias jacobinas, o seu carácter transforma-se repentinamente. É que conhecera e amara, durante os três meses em que esteve em Viseu, a vizinha Teresa. Ele com 17 anos, ela com 15, passam a viver desde então o amor romântico: um amor que redime os erros, que modifica as personalidades, que tem na pureza de intenções e na honestidade de princípios as suas principais virtudes. Aliás, são as virtudes que caracterizam os sentimentos de Simão, desde que experimenta este amor. Torna-se recatado, estudioso e até religioso, o que não o impede de sentir uma sede incontrolável de vingança, que resulta no assassinato do rival Baltasar Coutinho. Esse ato exemplifica a proximidade entre “o sentimento moral do crime” ou “o sentimento religioso do pecado” e a tentativa de consumação do amor. O modo como assume este crime, recusando-se a aceitar todas as tentativas de escamoteá-lo, feitas pelos amigos do seu pai, acaba de configurar o carácter passional do comportamento de Simão. Nem a possibilidade da forca e do degredo, nem as misérias sofridas no cárcere conseguem abater a firmeza, a dignidade, a obstinação que transformam Simão Botelho em símbolo heróico da resistência do indivíduo perante as vilezas da sociedade. Por outras palavras, estamos perante um típico herói ultra-romântico.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

La Bohème

"La Bohème" é uma ópera em quatro atos de Giacomo Puccini, com libreto de Luigi Illicae Giuseppe Giacosa, baseado no livro de Henri Murger, “Scènes de la vie de bohème”. Estreou no Teatro Regio de Turim a 1 de Fevereiro de 1896, sob a direcção de Arturo Toscanini.
A história passa-se em Paris, no início do século XIX, e o argumento gira em torno de um grupo de artistas em conflito e com falta de recursos financeiros.
Rodolfo é poeta e partilha um sótão em Paris com os seus amigos boémios: Marcello, um pintor, Schaunard, um músico, e Colline, um filósofo. Os quatro enganam o senhorio que vinha cobrar a renda em atraso e decidem ir comemorar ao Momus Café. Rodolfo permanece a escrever quando chega a frágil Mimi e os dois se apaixonam.
No Quartier Latin, Rodolfo aparece com Mimì no Momus Café e apresenta-a aos seus amigos. Marcello reencontra Musetta, com um novo companheiro e os dois reconciliam-se.
Uns tempos mais tarde, Mimì visita Marcello e, desesperada, conta-lhe que Rodolfo a abandonou cego de ciúmes. À chegada de Rodolfo, Mimì esconde-se e percebe pela conversa dos dois amigos que o verdadeiro motivo do abandono é a sua saúde. Marcello e Musetta também se separam.
De regresso ao sótão, Musetta e Mimì, já muito fraca, chegam para que esta volte a ver, uma vez mais, o seu amado Rodolfo.
Numa última tentativa de salvar Mimì, Rodolfo corre para a cama a chorar e a chamar pelo seu nome.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Eliminação da Discriminação Racial

A 21 de dezembro de 1965, na Assembleia Geral das Nações Unidas é adotada, pela Resolução 2106 A (XX), a Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial. Nos termos desta Convenção, os Estados Partes empenham-se em não cometer um ato ou adotar uma prática de discriminação racial contra indivíduos, grupos de pessoas ou instituições e a assegurar que as autoridades públicas e as instituições atuem da mesma maneira; não patrocinar, defender ou sustentar a discriminação racial com origem em pessoas ou em organizações; rever as políticas governamentais, nacionais e locais e alterar ou a revogar leis e regulamentos que constituem ou perpetuem a discriminação racial; proibir e pôr termo à discriminação racial por pessoas, grupos e organizações; e fomentar organizações e movimentos integracionistas ou multiraciais e outros meios de eliminar as barreiras entre raças, bem como desencorajar tudo aquilo que puder tender a reforçar a divisão racial.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Tristeza

Uma história triste agrada sempre. No seu sentido mais profundo, a vida é bela e alegre. Todos nós tivemos já a experiência disso milhares de vezes. Provas sobre provas de que não há primavera sem flores, nem outono sem frutos. Mas, apegados como estamos à aparência de tudo, esquecemos a voz do profundo, e ouvimos deliciados o som da superfície. Temos o vício da tristeza.
Miguel Torga