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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Teresa de Albuquerque

Protagonista em "Amor de Perdição", de Camilo Castelo Branco, menina de 15 anos que se apaixona por Simão, também sai adquirindo densidade heroica ao longo da obra: firme e resoluta no seu amor, ela mantém-se inflexível perante os pedidos, as ameaças, as atrocidades e violências cometidas pelo pai severo e autoritário, que pretende casá-la com o primo ou transformá-la em freira. Neste sentido, a obstinação que a caracteriza é a mesma presente em Simão, com a diferença de que nela o heroismo consiste não em agir, mas em reagir. Isto por pertencer ao sexo feminino, símbolo da fragilidade e da passividade perante o carácter viril, másculo, quase selvagem do homem romântico. Na medida em que não faz o jogo do pai, dando a vida pelo sentimento que a possui, Teresa constitui uma heroína romântica típica, um exemplo da imagem da mulher­ anjo que vigorou no Romantismo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Simão Botelho

Protagonista de "Amor de Perdição", de Camilo Castelo Branco, inicialmente é apresentado como um jovem de temperamento sanguinário e violento. Perturbador da ordem para defender a plebe com quem convive e agitador na faculdade, onde luta de forma brutal pelas ideias jacobinas, o seu carácter transforma-se repentinamente. É que conhecera e amara, durante os três meses em que esteve em Viseu, a vizinha Teresa. Ele com 17 anos, ela com 15, passam a viver desde então o amor romântico: um amor que redime os erros, que modifica as personalidades, que tem na pureza de intenções e na honestidade de princípios as suas principais virtudes. Aliás, são as virtudes que caracterizam os sentimentos de Simão, desde que experimenta este amor. Torna-se recatado, estudioso e até religioso, o que não o impede de sentir uma sede incontrolável de vingança, que resulta no assassinato do rival Baltasar Coutinho. Esse ato exemplifica a proximidade entre “o sentimento moral do crime” ou “o sentimento religioso do pecado” e a tentativa de consumação do amor. O modo como assume este crime, recusando-se a aceitar todas as tentativas de escamoteá-lo, feitas pelos amigos do seu pai, acaba de configurar o carácter passional do comportamento de Simão. Nem a possibilidade da forca e do degredo, nem as misérias sofridas no cárcere conseguem abater a firmeza, a dignidade, a obstinação que transformam Simão Botelho em símbolo heróico da resistência do indivíduo perante as vilezas da sociedade. Por outras palavras, estamos perante um típico herói ultra-romântico.