quarta-feira, 11 de junho de 2014

Vida

A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas veem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.
Fernando Pessoa

terça-feira, 10 de junho de 2014

Luís Vaz de Camões

Foi um poeta de Portugal, considerado uma das maiores figuras da literatura em língua portuguesa e um dos grandes poetas do Ocidente.
Pouco se sabe com certeza sobre a sua vida. Aparentemente nasceu em Lisboa, em 1524, de uma família da pequena nobreza e morreu na mesma cidade no dia 10 de junho de 1580. Sobre a sua infância tudo é conjetura mas, ainda jovem, terá recebido uma sólida educação nos moldes clássicos, dominando o latim e conhecendo a literatura e a história antigas e modernas. Pode ter estudado na Universidade de Coimbra, mas a sua passagem pela escola não é documentada. Frequentou a corte de Dom João III, iniciou a sua carreira como poeta lírico e envolveu-se, como narra a tradição, em amores com damas da nobreza e possivelmente plebeias, além de levar uma vida boémia e turbulenta. Diz-se que, por conta de um amor frustrado, partiu para África, alistado como militar, onde perdeu um olho numa batalha. Voltando a Portugal, feriu um servo do Paço e foi preso. Perdoado, partiu para o Oriente. Passando lá vários anos, enfrentou uma série de adversidades, foi preso várias vezes, combateu ao lado das forças portuguesas e escreveu a sua obra mais conhecida, a epopeia Os Lusíadas. De volta à pátria, publicou-a e recebeu uma pequena tença do rei Dom Sebastião pelos serviços prestados à Coroa, mas nos seus anos finais parece ter enfrentado dificuldades para se manter.
Logo após a sua morte a sua obra lírica foi reunida na coletânea Rimas, tendo deixado também três obras de teatro cómico. Enquanto viveu queixou-se várias vezes de alegadas injustiças que sofrera, e da escassa atenção que a sua obra recebia, mas pouco depois de falecer a sua poesia começou a ser reconhecida como valiosa e de alto padrão estético por vários nomes importantes da literatura europeia, ganhando prestígio sempre crescente entre o público e os conhecedores e influenciando gerações de poetas em vários países. Camões foi um renovador da língua portuguesa e fixou-lhe um duradouro cânone; tornou-se um dos mais fortes símbolos de identidade da sua pátria e é uma referência para toda a comunidade lusófona internacional. Hoje a sua fama está solidamente estabelecida e é considerado um dos grandes vultos literários da tradição ocidental, sendo traduzido para várias línguas e tornando-se objeto de uma vasta quantidade de estudos críticos.
Por ser considerado um dos maiores poetas portugueses de todos os tempos, o dia da sua morte foi escolhido para celebrar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

D. João III - O Piedoso

Nos primeiros anos do seu reinado, D. João III continuou com uma política de expansão, o que resultou em os portugueses serem os primeiros europeus a atingirem a China e o Japão. No entanto, par que Portugal pudesse continuar na posse e administração dos locais por si descobertos, era necessário enviar constantemente homens e embarcações a esses locais, o que ficava muitíssimo caro. Além disso, com o reforço do império Otomano, os turcos começaram a atacar o monopólio comercial português na Índia. Por isso, D. João III decidiu abandonar diversas praças comerciais do Norte de África, que eram alvo constante dos ataques dos muçulmanos.
Para contrabalançar estas perdas, D. João III avança com a exploração e o povoamento do Brasil através do sistema de capitanias. Mais tarde, visto que o Brasil era constantemente alvo de ataques de outras nações europeias, ele decide criar aí o cargo de governador geral para o qual destaca Tomé de Sousa.

Com Espanha, ele promoveu uma série de alianças através de casamentos, casando ele próprio com D. Catarina, dando D. Isabel como esposa a Carlos V e D. Maria a Filipe II, assegurando assim a paz entre estes dois povos vizinhos.
Com França, D. João III manteve-se neutro no que diz respeito à guerra com Espanha, mas manteve-se firme contra os ataques dos corsários franceses.
Com Roma, D. João III consegue um fortalecimento das relações por introduzir em Portugal a Inquisição (que já havia sido pedida anteriormente por D. Manuel I) e com a adesão do clero português à Contra-reforma.
Com a Inglaterra, a Flandres e os países do Báltico, D. João III intensificou as relações comerciais.

A nível cultural, com o apoio de D. João III, Portugal aderiu à cultura humanista. Nas letras, sobressaíram-se Gil Vicente, Garcia de Resende, Sá de Miranda, Bernardim Ribeiro, João de Barros e principalmente Luís de Camões. Nas ciências destacaram-se Pedro Nunes e Garcia de Orta.
Na educação, D. João III atribuiu bolsas de estudo a vários jovens portugueses em países estrangeiros, transferiu definitivamente a Universidade para Coimbra, tornou-se o fundador de diversos colégios, e ainda, admitiu e apoiou os Jesuítas em Portugal, de forma a alargar o ensino pelo país.

É debaixo do reinado de João III que são enviados os primeiros missionários portugueses para a evangelização dos povos das terras administradas por Portugal. Desses destacaram-se São Francisco Xavier, enviado para o Oriente, e o padre Manuel da Nóbrega que foi enviado para o Brasil.

Apesar de ser um homem muito religioso (daí o cognome Piedoso), D. João III é descrito por muitos como um homem infeliz, visto que tendo sido pai de dez filhos, viu todos estes morrerem ainda enquanto era vivo, o que punha em causa a sucessão ao trono.
No entanto, um dos seus filhos, o príncipe D. João, viveu ainda o tempo suficiente para se casar e dar à luz um filho, vindo a falecer quando a sua esposa estava prestes a dar à luz D. Sebastião, que nasceu em janeiro de 1554.

Hoje, podemos encontrar o túmulo de D. João III no Mosteiro dos Jerónimos.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Franz Kafka

A 3 de Junho de 1924, morre, vitimado pela tuberculose, num sanatório em Kierling, perto de Viena de Áustria, Franz Kafka, escritor de língua alemã nascido em Praga, numa família da classe média judia. Entre as suas obras mais significativas, destacamos "A Metamorfose" (1915) que narra o caso de um homem que acorda transformado num gigantesco inseto e "O Processo" (1925) que conta a história de um certo Josef K., julgado e condenado por um crime que ele mesmo ignora.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Catarina de Bragança

Com 23 anos a infanta Catarina de Bragança, filha de D. Luísa de Gusmão e de D. João IV, deixou para trás tudo o que lhe era querido e próximo para navegar rumo a uma vida nova. No coração um misto de tristeza e alegria. Saudades da sua Lisboa, de Vila Viçosa, do cheiro a laranjas, dos seus irmãos que já haviam partido deste mundo e dos que ficavam em Portugal a lutar pelo poder. Mas os seus olhos escuros deixavam perceber o entusiasmo pelo casamento com o homem dos seus sonhos, Charles de Inglaterra, um príncipe encantado que Catarina amava perdidamente ainda antes de o conhecer. Por ele sofreu num país do qual desconhecia a língua, os costumes e onde a sua religião era condenada. Assistiu às infidelidades do marido, ao nascimento dos seus filhos bastardos enquanto o seu ventre permanecia liso e seco, incapaz de gerar o tão desejado herdeiro. Catarina não conseguiu cumprir o único objetivo que como mulher e rainha lhe era exigido. Se ao menos não o amasse tanto!, pensava nas noites mais longas e tristes...

domingo, 1 de junho de 2014

Feliz como uma criança

Oh! A idade venturosa da infância! Onde há outra mais feliz e mais tranquila, mais sorridente - isto é, mais egoísta?... Em volta de nós podem suceder as piores catástrofes. Se elas nos não arrancam nem os brinquedos nem os bolos, não nos atingem de forma alguma... não as compreendemos sequer...

Quando muito, correm-nos lágrimas vendo chorar as nossas mães. No entanto, é só ainda vagamente que percebemos a dor humana. Por isso as nossas lágrimas secam depressa diante dos brinquedos. E se o quadro em que nos agitamos é risonho, a infância transforma-se-nos então num jardim maravilhoso. Para as crianças felizes, só para elas, existe realmente um céu - o céu dos seus primeiros anos.
Mário de Sá-carneiro