segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

domingo, 18 de janeiro de 2015

Vanina e Guidobaldo

Esta história de amor aparece contada por Sophia de Mello Breyner Andresen na obra "O Cavaleiro da Dinamarca" e é uma história encaixada na história da viagem do Cavaleiro. Este chega a Veneza e um mercador conta-lhe a história de Vanina e Guidobaldo.
Vanina era órfã de pai e mãe e Orso era o seu tutor. Quando ela era criança, o tutor prometeu-a em casamento a um seu parente chamado Arrigo. Quando ela atingiu os 18 anos, não quis casar com ele, porque achava que era muito velho, feio, maçador e tonto. Orso, seu tutor, fechava-a em casa, apenas a deixava sair para ir à missa em sua companhia. Durante os dias da semana, Vanina prisioneira suspirava e bordava, mas sempre espiada pelas aias. Durante a noite, Vanina abria a janela do seu quarto, debruçava-se na varanda e penteava os seus cabelos que eram loiros, leves, brilhantes e tão perfumados que até de longe se sentia, na brisa, o seu aroma. Os jovens rapazes de Veneza vinham, de noite, ver Vanina a pentear-se. Mas nenhum podia aproximar-se dela, pois o seu tutor mandaria apanhá-los. Vanina, jovem e bela e sem amor, suspirava naquele palácio. Um dia, chegou a Veneza um homem que não tinha medo de Jacob Orso. Chamava-se Guidobaldo e era capitão dum navio. O seu cabelo preto era azulado, e a sua pele estava queimada pelo sol e pelo sal.
Certa noite, Guidobaldo passou na sua gôndola e sentiu no ar um maravilhoso perfume, levantou a cabeça e viu Vanina a pentear os cabelos. Aproximou o seu barco da varanda e disse a Vanina que para cabelos tão belos e tão perfumados era preciso um pente de oiro. Vanina sorriu e atirou-lhe o seu pente que era de marfim. Na noite seguinte, o jovem capitão tornou a deslizar de gôndola. E Vanina disse que naquele dia não podia pentear-se porque não tinha o seu pente de marfim. O capitão deu-lhe um presente que era um pente de oiro para ela se pentear. E, desde esse dia, a rapariga mais bela de Veneza passou a ter namorado. Quando os amigos do capitão souberam da notícia, foram logo preveni-lo, estava arriscar a sua vida, pois Orso não lhe perdoaria. Guidobaldo, como não teve medo, sacudiu os ombros e riu-se. E, ao fim de um mês, foi bater à porta do tutor e pediu a mão de Vanina, mas Orso disse que Vanina estava noiva de Arrigo e deu o prazo de um dia para sair de Veneza, pois se não saísse, mandaria sete homens com sete punhais atrás de Guidobaldo para o matarem. Guidobaldo fez uma reverência e saiu. Nessa noite, no silêncio da noite, a sua gôndola parou junto da casa de Orso e Vanina desceu na escada e entrou na gôndola do seu amado. Guidobaldo cobriu-a com a sua capa escura e afastaram-se, na calada da noite. Na manhã seguinte, as aias aperceberam-se da falta de Vanina e correram a dizer ao tutor. Então Jacob Orso chamou Arrigo e com ele os seus esbirros dirigiram-se para o cais. Quando chegaram, o navio de Guidobaldo já tinha desaparecido. Jacob Orso pediu a um velho marinheiro seu conhecido para contar tudo o que sabia. O homem disse a Orso que o capitão e Vanina chegaram ao cais a meio da noite, chamaram um padre para os casar numa capela, a dos marinheiros. Mal terminou o casamento embarcaram e, ao primeiro nascer do dia, o navio levantou a âncora, içou as velas e navegou para o largo. Orso olhou para a distância e o navio já não se avistava, pois a brisa soprava da terra. As águas estavam verdes, claras, ligeiramente ondulantes e cobertas de manchas cor de prata. Tutor e Arrigo queixaram-se à senhoria de Veneza e ao doge. Depois mandaram quatro navios à procura dos fugitivos, partiu um navio para cada direção. Como o mar é grande e há muitos portos, muitas baías, muitas cidades marítimas e muitas ilhas, desde esse dia nunca mais ninguém os encontrou.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Adolfo Correia da Rocha

A 17 de Janeiro de 1995, morre, em Coimbra, o escritor Miguel Torga, nome literário do médico Adolfo Correia da Rocha. Proposto várias vezes para o Prémio Nobel da Literatura, a sua vasta obra abrange a poesia, o romance, o teatro, o conto, as crónicas de viagem e as memórias. Entre os seus textos mais conhecidos estão "Os Bichos" (1940), "Odes" (1946) e os 16 volumes do seu "Diário", abrangendo o período entre 1941 e 1993. Ganhou o Prémio Internacional de Poesia (1977), o Prémio Montaigne (1981) e o prémio Luís de Camões (1989).

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Individualidade

Tu podes, com certeza, conviver com os outros, mas nunca seres os outros. Eles podem ser muito bons, mas tu és sempre melhor porque és diferente e o único com as tuas características.
Agostinho da Silva

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Inês de Castro

Razões de ordem política levam o rei D Afonso IV a mandar executar Inês de Castro, amante do seu filho D. Pedro. Esta cruel tarefa é levada a cabo, a 7 de janeiro de 1355, por três elementos da nobreza: Álvaro Gonçalves, Diogo Lopes Pacheco e Pêro Coelho. Aproveitando a ausência de D. Pedro numa caçada, dirigem-se ao Paço de Santa Clara, em Coimbra, onde a bela Inês se encontra “posta em sossego” e matam-na. Camões imortaliza, n'Os Lusíadas, os amores de Inês e D. Pedro.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Ilse Lieblich Losa

Ilse Lieblich Losa foi uma escritora portuguesa de origem judaica. Nascida na Alemanha (1913), frequentou o liceu em Osnabrück e Hildesheim e mais tarde um instituto comercial em Hannover. Ameaçada pela Gestapo de ser enviada para um campo de concentração devido à sua origem judaica, abandonou o seu país natal em 1930. Deslocou-se primeiro para Inglaterra onde teve os primeiros contactos com escolas infantis e com os problemas das crianças. Chegou a Portugal em 1934, tendo-se fixado na cidade do Porto, onde casou com o arquiteto Arménio Taveira Losa, tendo adquirido a nacionalidade portuguesa. Em 1943, publicou o seu primeiro livro "O mundo em que vivi" e desde dessa altura, dedicou a sua vida à tradução e à literatura infanto-juvenil, tendo sido galardoada em 1984 com o Grande Prémio Gulbenkian para o conjunto da sua obra dirigida às crianças. Em 1998 recebeu o Grande Prémio de Crónica, da APE (Associação Portuguesa de Escritores) devido à sua obra "À Flor do Tempo". Colaborou em diversos jornais e revistas, alemães e portugueses, está representada em várias antologias de autores portugueses e colaborou na organização e traduziu antologias de obras portuguesas publicadas na Alemanha. Traduziu do alemão para português alguns dos mais consagrados autores. Segundo Óscar Lopes "(...) os seus livros são uma só odisseia interior de uma demanda infindável da pátria, do lar, dos céus a que uma experiência vivida só responde com uma multiplicidade de mundos que tanto atraem como repelem e que todos entre si se repelem." 
Faleceu no Porto, no dia 6 de janeiro de 2006.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Eu Simplesmente Amo-te

Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se.
Pablo Neruda, in Cem Sonetos de Amor