terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ternura


Desvio dos teus ombros o lençol, 
que é feito de ternura amarrotada, 
da frescura que vem depois do sol, 
quando depois do sol não vem mais nada... 

Olho a roupa no chão: que tempestade! 
Há restos de ternura pelo meio, 
como vultos perdidos na cidade 
onde uma tempestade sobreveio... 

Começas a vestir-te, lentamente, 
e é ternura também que vou vestindo, 
para enfrentar lá fora aquela gente 
que da nossa ternura anda sorrindo... 

Mas ninguém sonha a pressa com que nós 
a despimos assim que estamos sós! 

David Mourão-Ferreira, in Infinito Pessoal 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Língua Materna

A língua materna também se conhece como idioma materno, língua nativa ou primeira língua. Trata-se do primeiro idioma que aprende uma pessoa ou, por outras palavras, da língua que se fala num país, e que é relativa aos naturais/nativos do mesmo.
A língua materna é, sem dúvida, aquela que se domina melhor, no sentido de uma valorização subjetiva que o indivíduo realiza relativamente às línguas que conhece. Também se trata da língua adquirida de forma natural, através da interação com o meio envolvente, sem intervenção pedagógica e sem uma reflexão linguística consciente.

Em geral, o idioma materno é aprendido através da família, em casa. A habilidade na língua materna é imprescindível para a aprendizagem posterior, uma vez que constitui a base do pensamento. Por outro lado, uma destreza incompleta na língua materna dificulta a aprendizagem de segundas línguas.
Segundo defendem as teorias de Noam Chomsky e de outros linguistas, a língua materna pode ser aprendida até aos doze anos de idade. Uma vez superada essa etapa, as habilidades linguísticas do falante são distintas e qualquer língua aprendida passará a ser considerada como uma segunda língua.
Convém destacar que o Dia Internacional da Língua Materna é celebrado no dia 21 de fevereiro.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Eis que chegam as esposas!

O jornal portuense O Primeiro de Janeiro, na sua edição de 15 de fevereiro de 1946, traz uma curiosa fotografia com centenas de senhoras a desembarcar do navio Argentina, atracado no porto de Nova Iorque. Trata-se do primeiro contingente de esposas (456) e bebés (170) dos soldados aviadores e marinheiros norte-americanos que se casaram na Grã-Bretanha, durante o período da IIª Grande Guerra. Foram alegremente recebidas, ao som da banda do exército, na sua nova pátria, onde iriam ser repartidas por 45 estados.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Dia de São Valentim

O Dia de São Valentim tem a sua origem num acontecimento ocorrido na segunda metade do século século III na cidade de Terni, a 75 km de Roma. O Império Romano era governado, na altura, por Claudius II (268 – 270) que estava envolvido em diversas campanhas militares consideradas demasiado sangrentas, o que levou a dificuldades na recruta de novos soldados para as legiões romanas. Tendo o Imperador considerado que a razão destas dificuldades residia no facto dos homens não quererem abandonar as suas namoradas, esposas e amantes, proibiu todos os noivados e casamentos em Roma. Contrariando essa determinação, Valentim, bispo de Terni, continuou a casar jovens apaixonados. Quando o Imperador tomou conhecimento da celebração dessas cerimónias, ordenou a decapitação do bispo Valentim, facto que ocorreu a 14 de fevereiro de 270. Em 498, o Papa Gelasius santificou-o, passando o dia da sua morte a estar conotado com os apaixonados. As festividades em honra deste santo foram, pouco a pouco, substituindo as Lupercais, festa pagã da fertilidade que se realizava em meados de fevereiro. Durante a Idade Média, Valentim foi um dos santos mais populares em Inglaterra e França. Vários países adotaram este dia como feriado. É o caso da Inglaterrra desde o século VII e dos Estados Unidos desde 1700. Em Portugal, a devoção a São Valentim é bastante limitada. Não conhecemos, por exemplo, nenhuma freguesia que tenha este santo como patrono. Já o mesmo não se pode dizer de outros países onde a popularidade do santo é evidente. Em França, por exemplo, existe, no coração de Champagne Berrichonne (departamento de l'Indre), uma localidade chamada Saint-Valentin

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Humberto Delgado

A 13 de fevereiro de 1965, Humberto da Silva Delgado é assassinado pela PIDE, polícia política do Estado Novo. Foi candidato independente às eleições presidenciais de 1956. Questionado sobre qual o destino que daria a Salazar, se fosse eleito, teve a coragem de afirmar: "Obviamente, demito-o".

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Entre o Sono e Sonho


Entre o sono e sonho, 
Entre mim e o que em mim 
É o quem eu me suponho 
Corre um rio sem fim. 

Passou por outras margens, 
Diversas mais além, 
Naquelas várias viagens 
Que todo o rio tem. 

Chegou onde hoje habito 
A casa que hoje sou. 
Passa, se eu me medito; 
Se desperto, passou. 

E quem me sinto e morre 
No que me liga a mim 
Dorme onde o rio corre — 
Esse rio sem fim. 

Fernando Pessoa, in Cancioneiro

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Um autocarro cheio de gente vazia

Por cada homem enfurecido há sempre
dois ou três que o acalmam com palmadinhas nas costas,
por cada chorão, muitos mais limpadores de lágrimas,
por cada homem feliz, uma profusão de infelizes
a querer aquecer-se no calor da sua alegria.

E todas as noites pelo menos um homem
não consegue encontrar o caminho de casa
ou a sua casa mudou-se para outro lugar
e ele vagueia pelas ruas,
supérfluo.

Uma vez estava com o meu filho pequeno na estação
e um autocarro vazio passou por nós. O meu filho disse:
“Olha, um autocarro cheio de gente vazia.”

Yehuda Amichai

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Erro Crasso

Na Roma antiga havia o Triunvirato: o poder dos generais era dividido por três pessoas. No primeiro destes Triunviratos , tínhamos Caio Júlio, Pompeu e Crasso. Este último foi incumbido de atacar um pequeno povo chamado Partos. Confiante na vitória, resolveu abandonar todas as formações e técnicas romanas e simplesmente atacar. Ainda por cima, escolheu um caminho estreito e de pouca visibilidade. Os partos, mesmo em menor número, conseguiram vencer os romanos, sendo o general que liderava as tropas, um dos primeiros a cair. Desde então, sempre que alguém tem tudo para acertar, mas comete um erro estúpido, dizemos tratar-se de um "erro crasso". 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Poema do futuro cidadão

Vim de qualquer parte
de uma Nação que ainda não existe.
Vim e estou aqui!
Não nasci apenas eu
nem tu nem outro...
mas irmão.
Mas
tenho amor para dar às mãos-cheias.
Amor do que sou
e nada mais.
E
tenho no coração
gritos que não são meus somente
porque venho dum país que ainda não existe.
Ah! Tenho meu amor a rodos para dar
do que sou.
Eu!
Homem qualquer
cidadão de uma nação que ainda não existe.

José Craveirinha



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Carta de Paris

Em todo Mundo, mais de 12 milhões de pessoas são diagnosticadas com cancro e 7,6 milhões morrem da doença. No entanto, 40% dos casos são potencialmente evitáveis. No encerramento da Cimeira Mundial Contra o Cancro, realizada em Paris, foi elaborado e assinado, a 4 de fevereiro de 2000, um documento conhecido por Carta de Paris, com o objetivo de mobilizar esforços e investimentos internacionais no combate a esta doença, tendo essa data sido escolhida pela UICC – União Internacional Contra o Cancro para Dia Mundial da Luta Contra o Cancro.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Conceição Maria

A 3 de fevereiro de 1966, o cargueiro português Conceição Maria foi abalroado pelo barco holandês Simon Skerk, que se pôs em fuga. Envolto em chamas, o Conceição Maria, derivou, perigosamente, em direção aos reservatórios petrolíferos da Transocean. Um rebocador de alto mar passou-lhe um cabo, a fim de evitar uma catástrofe de consequências imprevisíveis. Salvaram-se os 26 tripulantes.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

A Portuguesa

A Portuguesa, hino nacional de Portugal, nasceu como uma canção patriótica em resposta ao ultimato inglês que exigia que Portugal abandonasse os territórios africanos compreendidos entre Angola e Moçambique, o denominado Mapa cor-de-rosa. Com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil, "A Portuguesa" é executada, pela primeira vez em público, a 1 de fevereiro de 1890, num sarau lisboeta em São Carlos.