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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ternura


Desvio dos teus ombros o lençol, 
que é feito de ternura amarrotada, 
da frescura que vem depois do sol, 
quando depois do sol não vem mais nada... 

Olho a roupa no chão: que tempestade! 
Há restos de ternura pelo meio, 
como vultos perdidos na cidade 
onde uma tempestade sobreveio... 

Começas a vestir-te, lentamente, 
e é ternura também que vou vestindo, 
para enfrentar lá fora aquela gente 
que da nossa ternura anda sorrindo... 

Mas ninguém sonha a pressa com que nós 
a despimos assim que estamos sós! 

David Mourão-Ferreira, in Infinito Pessoal 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ato de Escrita

Corrigir. Corrigir muito: anoto, risco, reescrevo, volto a riscar; a reescrever, às vezes; a escrever, por fim. […] Esboço geralmente um plano de trabalho; e, geralmente não o cumpro. […] A Inspiração? Aqui para nós, trata-se de uma rapariga fascinante – mas caprichosa como o diabo. 
David Mourão-Ferreira