quinta-feira, 19 de junho de 2014

Felipe VI de Bourbon

Moderno e discreto, Felipe VI de Bourbon foi educado durante toda a sua vida para tornar-se chefe de Estado, uma responsabilidade que assume hoje, aos 46 anos, sucedendo ao seu pai Juan Carlos I. Casado com a jornalista Letizia Ortiz e pai de duas filhas, Felipe é considerado o herdeiro mais bem preparado da História da Espanha. 
Felipe é o terceiro filho de Juan Carlos e Sofia. Nasceu na clínica de Nossa Senhora de Loreto, em Madrid, no dia 30 de janeiro de 1968, quando o ditador Francisco Franco ainda governava a Espanha.
Juan Carlos assumiu o cargo de chefe de Estado após a morte de Franco, em 1975, e Felipe  tornou-se automaticamente o herdeiro do trono. Em 1977,  recebeu o título de príncipe de Astúrias. Há anos, representa a Espanha nas posses de presidentes latino-americanos.
Felipe cursou estudos militares em Zaragoza. Em 1993, formou-se em direito, estudando também diversas matérias no curso de Ciências Económicas da Universidade Autónoma de Madrid. Além do espanhol, fala catalão, inglês, francês, português e grego.
Entre 1993 e 1995, concluiu um mestrado em Relações Internacionais na Universidade de Georgetown, em Washington, nos Estados Unidos. Após finalizar os seus estudos, começou a desenvolver um amplo papel institucional como herdeiro da coroa.
Ao casar-se com Letizia, Felipe rompeu uma longa tradição de casamento entre famílias de sangue azul. Eles são pais de duas filhas: Leonor e Sofia. Teoricamente, Leonor será agora a futura princesa de Astúrias e herdeira do trono, mas a Espanha deverá reformar a sua constituição, que ainda coloca o homem à frente das mulheres na linha de sucessão.
Piloto de helicóptero e jogador de futebol amador, Felipe gosta de praticar desporto, uma tradição da família real. Participou dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, com a equipa de vela, e carregou a bandeira da Espanha na cerimónia de abertura.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Abordar um texto poético

Abordar um texto poético, qualquer que seja o grau de profundidade ou amplitude da leitura, pressupõe, e ouso dizer que pressuporá sempre, uma certa incomodidade de espírito, como se uma consciência paralela observasse com ironia a inanidade relativa de um trabalho de desocultação que, estando obrigado a organizar, no complexo sistema capilar do poema, um itinerário contínuo e uma univocidade coerente, ao mesmo tempo se obriga a abandonar as mil e uma probabilidades oferecidas pelos outros itinerários, apesar de estar ciente de antemão de que só depois de os ter percorrido a todos, a esses e àquele que escolheu, é que acederia ao significado último do texto, podendo suceder que a leitura alegadamente totalizadora assim obtida viesse só a servir para acrescentar à rede sanguínea do poema uma ramificação nova, e impor portanto a necessidade de uma nova leitura. Todos carpimos a sorte de Sísifo, condenado a empurrar pela montanha acima uma sempiterna pedra que sempiternamente rolará para o vale, mas talvez que o pior castigo do desafortunado homem seja o de saber que não virá a tocar nem a uma só das pedras ao redor, inúmeras, que esperam o esforço que as arrancaria à imobilidade. 
Não perguntamos ao sonhador por que está sonhando, não requeremos do pensador as razões do seu pensar, mas de um e de outro quereríamos conhecer aonde os levaram, ou levaram eles, o pensamento e o sonho, aquela pequena constelação de brevidades a que costumamos chamar conclusões. Porém, ao poeta — sonho e pensamento reunidos —, ao poeta não se lhe há-de exigir que nos venha explicar os motivos, desvendar os caminhos e assinalar os propósitos. O poeta, à medida que avança, apaga os rastos que foi deixando, cria atrás de si, entre os dois horizontes, um deserto, razão por que o leitor terá de traçar e abrir, no terreno assim alisado, uma rota sua, pessoal, que no entanto jamais coincidirá, jamais se justaporá à do poeta, única e finalmente indevassável. Por sua vez, o poeta, tendo varrido os sinais que durante um momento marcaram não só o carreiro por onde veio mas também as hesitações, as pausas, as medições da altura do Sol, não saberia dizer-nos por que caminho chegou aonde agora se encontra, parado no meio do poema ou já no fim dele. Nem o leitor pode repetir o percurso do poeta, nem o poeta poderá reconstituir o percurso do poema: o leitor interrogará o poema feito, o poeta não pode senão renunciar a saber como o fez.

José Saramago, in Cadernos de Lanzarote (1994)

terça-feira, 17 de junho de 2014

Laços

Quando dás de ti, quando sofres pelos outros, crias laços. E desse modo estabeleces, ou descobres, o teu sentido. Passas a ter pontos de referência. Estás localizado e sabes para onde deves ir.
Paulo Geraldo

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Noite apressada

Era uma noite apressada
depois de um dia tão lento.
Era uma rosa encarnada
aberta nesse momento.
Era uma boca fechada
sob a mordaça de um lenço.
Era afinal quase nada,
e tudo parecia imenso!

Imensa, a casa perdida
no meio do vendaval;
imensa, a linha da vida
no seu desenho mortal;
imensa, na despedida,
a certeza do final.

Era uma haste inclinada
sob o capricho do vento.
Era a minh'alma, dobrada,
dentro do teu pensamento.
Era uma igreja assaltada,
mas que cheirava a incenso.
Era afinal quase nada,
e tudo parecia imenso!

Imensa, a luz proibida
no centro da catedral;
imensa, a voz diluída
além do bem e do mal;
imensa, por toda a vida,
uma descrença total!

David Mourão-Ferreira, in  À Guitarra e à Viola

domingo, 15 de junho de 2014

Almada Negreiros

Escritor e artista plástico, José Sobral de Almada Negreiros nasceu em S. Tomé e Príncipe a 7 de abril de 1893. Foi um dos fundadores da revista “Orpheu”(1915), veículo de introdução do modernismo em Portugal, onde conviveu de perto com Fernando Pessoa. Além da literatura e da pintura a óleo, Almada desenvolveu ainda composições coreográficas para ballet. Trabalhou em tapeçaria, gravura, pintura mural, caricatura, mosaico, azulejo e vitral. Faleceu a 15 de junho de 1970 no Hospital de S. Luís dos Franceses, em Lisboa, no mesmo quarto onde morrera o seu amigo Fernando Pessoa.

sábado, 14 de junho de 2014

Ditaduras

As ditaduras fomentam a opressão, as ditaduras fomentam o servilismo, as ditaduras fomentam a crueldade; mas o mais abominável é que elas fomentam a idiotia.
Jorge Luis Borges

                              http://acasacheia.com/2013/11/04/colorindo-o-prato-rainbow-food/

quinta-feira, 12 de junho de 2014

CEE

Em 12 de junho de 1985 Portugal assinou o tratado de adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE). O primeiro-ministro Mário Soares liderou a comitiva que formalizou, no Mosteiro dos Jerónimos, a entrada do país no projeto europeu. 

Portugal atravessava uma grave crise financeira, acentuada pela recessão da economia mundial. Após a revolução de 25 de Abril de 1974, e a perda do mercado colonial, mantinha uma grande dependência externa. É nesse contexto que o país se aproxima do mercado europeu, fazendo o pedido de adesão à CEE em 1977. É só na década seguinte que esse pedido se concretiza em simultâneo com a Espanha, naquele que foi o terceiro alargamento do grupo europeu.

A Comunidade Económica Europeia faz parte do processo de formação do que hoje é a União Europeia, que teve na sua origem, a intenção de fomentar o progresso económico, a liberdade e uma paz duradoura entre os estados vizinhos da Europa.
Teve início em 1950 na Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) com seis países fundadores: Alemanha, Bélgica, Itália, França, Luxemburgo e os Países Baixos, que deram os primeiros passos para a união dos países da Europa.