Mostrar mensagens com a etiqueta veludo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta veludo. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 20 de março de 2014

Para sempre


Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade


segunda-feira, 3 de março de 2014

Pétala dobrada

Pétala dobrada para trás da rosa que outros dizem de veludo.
Apanho-te do chão e, de perto, contemplo-te de longe.

Não há rosas no meu quintal: que vento te trouxe?

Mas chego de longe de repente. Estive doente um momento.

Nenhum vento te trouxe agora.

Agora estás aqui.

O que foste não és tu, se não toda a rosa estava aqui.



Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos