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sábado, 30 de abril de 2016

Letargia

Amo como quem morre
Não de tanta entrega
Mas de deixar-se corroer
Para restar o silêncio de um corpo
E a falta do sentir

Escrevo como quem vive
Reencarnando personagens
Possivelmente mais tristes
Até que eu seja só partícula
De algo que não me reconheça
Laura Amaral
Fabrico Caseiro: CHÁ GELADO DE AMEIXA E ALECRIM  ingredientes (para 1 jarro com capacidade de 1,5l)  1 saqueta de chá de lúcia-lima ou de limão caseiro 3 c.sopa de mel 6 ameixas maduras descaroçadas e cortadas em gomos 2 raminhos de alecrim cubos de gelo a gosto:

domingo, 6 de dezembro de 2015

Volúpia

No divino impudor da mocidade, 
Nesse êxtase pagão que vence a sorte, 
Num frêmito vibrante de ansiedade, 
Dou-te o meu corpo prometido à morte! 

A sombra entre a mentira e a verdade... 
A nuvem que arrastou o vento norte... 
- Meu corpo! Trago nele um vinho forte: 
Meus beijos de volúpia e de maldade! 

Trago dálias vermelhas no regaço... 
São os dedos do sol quando te abraço, 
Cravados no teu peito como lanças! 

E do meu corpo os leves arabescos 
Vão-te envolvendo em círculos dantescos 
Felinamente, em voluptuosas danças... 
Florbela Espanca, in Charneca em Flor

sábado, 25 de julho de 2015

Pensamentos

Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos.

Victor Hugo


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Narciso


Dentro de mim me quis eu ver. Tremia, 
Dobrado em dois sobre o meu próprio poço... 
Ah, que terrível face e que arcabouço 
Este meu corpo lânguido escondia! 

Ó boca tumular, cerrada e fria, 
Cujo silêncio esfíngico bem ouço! 
Ó lindos olhos sôfregos, de moço, 
Numa fronte a suar melancolia! 

Assim me desejei nestas imagens. 
Meus poemas requintados e selvagens, 
O meu Desejo os sulca de vermelho: 

Que eu vivo à espera dessa noite estranha, 
Noite de amor em que me goze e tenha, 
...Lá no fundo do poço em que me espelho! 

José Régio, in Biografia