sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Livre ...

 A minha infância pode parecer assustadora, mas era bela ... Passei fome ...Passei frio ... Mas era livre ... Livre de não me levantar ... Livre de não me deitar ... Livre de me embebedar ... De sonhar ... De esperar.
Edith Piaf

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Lua Adversa


Tenho fases, como a lua, 
Fases de andar escondida, 
fases de vir para a rua... 
Perdição da minha vida! 
Perdição da vida minha! 
Tenho fases de ser tua, 
tenho outras de ser sozinha. 

Fases que vão e que vêm, 
no secreto calendário 
que um astrólogo arbitrário 
inventou para meu uso. 

E roda a melancolia 
seu interminável fuso! 

Não me encontro com ninguém 
(tenho fases, como a lua...). 
No dia de alguém ser meu 
não é dia de eu ser sua... 
E, quando chega esse dia, 
o outro desapareceu...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Emma Bovary

A figura da mulher insatisfeita do século XIX é representada por ela em muitos aspetos e a crítica social na obra é imensa. Uma mulher sonhadora que conheceu o mundo através dos livros e que se cansa da vida de casada com um médico entediante. A personagem é um poço de tédio. Apesar de todas as tentativas frustradas do marido de agradar a esposa, Emma não se satisfaz facilmente e nem os amantes lhe são suficientes. Essa foi à obra que inaugurou o Realismo na Literatura, que serviu de inspiração para tantos outros autores e que até hoje gera discussões com a sua tão insaciável personagem principal.

domingo, 14 de dezembro de 2014

O Direito à Literatura

A literatura corresponde a uma necessidade universal que deve ser satisfeita sob pena de mutilar a personalidade, porque pelo facto de dar forma aos sentimentos e à visão do mundo ela organiza-nos, liberta-nos do caos e portanto humaniza-nos. Negar a fruição da literatura é mutilar a nossa humanidade.
António Candido

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Protocolo de Quioto

A 11 de dezembro de 1997, é assinado o Protocolo de Quioto, tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que agravam o efeito estufa, com o consequente aquecimento global. Se o Protocolo de Quioto for implementado com sucesso, estima-se que a temperatura global reduza entre 1,4°C e 5,8 °C até 2100.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Sim, é possível

É possível (...) que não se tenha visto, conhecido e dito nada de real e importante? É possível que se tenha tido milénios para olhar, refletir e anotar e que se tenha deixado passar os milénios como uma pausa escolar, durante a qual se come fatias de pão com manteiga e uma maçã? 

Sim, é possível. 

É possível que, apesar das investigações e dos progressos, apesar da cultura, da religião e da filosofia, se tenha ficado na superfície da vida? É possível que até se tenha coberto essa superfície - que, apesar de tudo, seria qualquer coisa - com um pano incrivelmente aborrecido, de tal modo que se assemelhe aos móveis da sala durante as férias de verão? 

Sim, é possível.

É possível que toda a História Universal tenha sido mal-entendida? É possível que o passado seja falso, precisamente porque sempre se falou das suas multidões, como se dissertasse sobre uma aglomeração de pessoas, em vez de falar de uma única, em torno da qual elas estavam, porque se tratava de um desconhecido que morreu? 

Sim, é possível.

É possível que se tenha julgado ser preciso recuperar o que aconteceu antes de se ter nascido? É possível que se tivesse de lembrar a cada um que ele, de facto é proveniente de todos os antecessores, tendo ele disso conhecimento e não devendo dar ouvidos a outros que soubessem outras coisas? 

Sim, é possível. 


É possível que todas estas pessoas conheçam em pormenor um passado que nunca houve? É possível que todas as realidades nada sejam para elas; que a sua vida decorra, desligada de tudo, como um relógio numa sala vazia? 

Sim, é possível.

É possível que nada se saiba das raparigas que, no entanto, vivem? É possível que se diga «as mulheres», «as crianças», «os rapazes» e não se faça a mínima ideia (apesar de toda a cultura não se faça a mínima ideia) de que há muito que estas palavras não têm plural, mas apenas inúmeros singulares? 

Sim, é possível.

É possível que haja gente que diga «Deus» e julgue que se trate de algo comum a todos? - E veja-se apenas dois rapazinhos de escola: um compra um canivete, e o seu vizinho compra outro tal qual no mesmo dia. E uma semana depois mostram um ao outro os dois canivetes, e acontece que eles só muito de longe se parecem - tão diferentemente evoluíram em mãos diferentes. (Ora, diz a mãe de um deles a esse respeito: vocês têm sempre por força de desgastar logo tudo!). Ah, pois: é possível acreditar que se possa ter um Deus sem se recorrer a Ele? 

Sim, é possível.

Porém, se tudo isto é possível, se tem mesmo só uma aparência de possibilidade - então, por tudo o que há no mundo, é preciso que aconteça alguma coisa. O primeiro indivíduo, o que teve estes pensamentos inquietantes, deve começar a fazer alguma coisa do que se perdeu; mesmo que seja um qualquer, certamente o menos indicado: mais nenhum há que o possa fazer. 

Rainer Maria Rilke, in As Anotações de Malte Lauridis Brigge



sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Espelhos no espaço

O jornal Pravda, de 28 de novembro de 1983, anuncia, como ideia para o futuro, a colocação de enormes espelhos em órbita sobre o Oceano Ártico, destinados a refletir luz solar sobre as cidades setentrionais soviéticas, durante a longa noite polar.